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Convento
do Carmo
Esta igreja é influenciada por certas novidades estilísticas
do Mosteiro da Batalha. O convento dedicado a Nossa Senhora do Vencimento,
no monte do Carmo, surgiu no cumprimento de um voto feito em Aljubarrota
pelo Condestável D. Nuno Álvares Pereira, em 1389, seguindo
o risco do Mestre Gomes Martins. A construção à
semelhança do Mosteiro de Santa Maria da Vitória, na Batalha,
foi iniciada em 1393 e só trinta anos depois foi concluída.
O local escolhido apresentou desde logo enormes dificuldades técnicas
a nível dos alicerces, que cederam duas vezes e do suporte da
cabeceira. D. Nuno Álvares Pereira contratou para a terceira
tentativa três conceituados mestres-de-obras, os irmãos
Gonçalo, Afonso e Rodrigo Eanes. Esta foi uma das maiores campanhas
arquitectónicas de Lisboa. Em 1399, o templo tinha já
paredes e frontaria sendo-lhe acrescentados cinco arcobotantes. A cabeceira
é poligonal, formada por cinco capelas de eixos paralelos, sendo
a maior mais alta e ampla, apresenta um terço de altura, um forte
embasamento como solução para combater o acidentado de
terreno.
Esta igreja com cerca de 70 metros de comprimento ruiu após o
terramoto e consequente incêndio de 1755, perdendo grande parte
da sua valiosa herança. Não chegou a ser reconstruído,
apesar de terem sido feitas várias tentativas e o templo permanece
ainda a céu aberto. É uma ruína que aponta para
o Céu os seus altos arcos ogivais descarnados. Os restos arqueológicos
idicam que os torais das naves suportariam o abobadamento em berço
quebrado. Modificada em 1532, a fachada é uma das zonas que melhor
se conservam, sobressaindo o portal de seis arquivoltas ogivais.
Além da igreja, possuía ainda a sacristia, o capítulo
dos Bispos, o capítulo novo, uma capela desaparecida, o dormitório,
o refeitório e o claustro. A sacristia ainda possui a original
abóbada de cruzaria e os janelões góticos, apesar
de ter sofrido um acrescento seiscentista. O estilo anterior foi modificado
e optou-se por uma imitação do estilo gótico, embora
com uma lnguagem por vezes barroca.
O convento do Carmo está hoje ocupado pela Guarda Nacional Republicana.
Nele estão instalados, desde 1857, a sede da Associação
dos Arqueólogos Portugueses e um museu lapidar, o Museu Arqueológico
do Carmo, constituído por esculturas, inscrições,
túmulos e brasões.
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